Desordens Quantitativas de Plaquetas

 

As plaquetas (ou trombócitos) são produzidas pela demarcação do citoplasma de megacariócitos liberadas diretamente na circulação.
Em mamíferos são pequenas, não apresentam núcleo, medem de 3 a 5 µm de diâmetro e possuem pequenos e finos grânulos. Nos felinos variam mais em tamanho e podem ter o tamanho de um eritrócito. Nas aves as plaquetas se apresentam nucleadas e com diâmetro que varia de 5 a 6 µm.
Após a estímulo, as plaquetas aparecem entre 3 e 5 dias e são controladas pela trombopoetina e eritropoetina. A vida média é cerca de 8 dias. Aproximadamente um terço das plaquetas é seqüestrada pelo baço.
A função primária das plaquetas é a manutenção da hemostasia. Através da interação com as células endoteliais elas ajudam a manter a integridade vascular. Por serem expostas a vários estímulos, passam por inúmeros eventos fisiológicos tais como:
- alteração da forma
- adesão
- agregação plaquetária
- secreção de grânulos
- interação de fatores de coagulação.
Para a avaliação laboratorial, a amostra deve ser coletada de forma não traumática, pois o trauma pode causar alteração plaquetária com formação de agregados que podem falsamente diminuir o número de plaquetas. Os agregados podem ocorrer em qualquer espécie, mas são mais comuns em amostras de felinos. O anticoagulante de eleição é o EDTA (etileno diamino tetraacetato de sódio ou potássio). Em alguns casos utiliza-se citrato de sódio como anticoagulante.
Existem vários métodos de contagem plaquetária sendo que os mais utilizados em veterinária são:
- Contagem estimada das plaquetas: observação do esfregaço sangüíneo com objetiva de 100 x
- Contagem direta de plaquetas na câmara de Neubauer
- Contagem automática em contadores hematológicos: através do método de impedância.
Os valores normais para a contagem de plaquetas de cães e gatos estão entre 200.000 e 500.000 / µl. Valores entre 200.000 e 100.000 / µl podem indicar trombocitopenia. Valores inferiores a 100.000 / µl indicam trombocitopenia. Valores superiores a 50.000 / µl são suficientes para prevenir hemorragias. Valores inferiores a 25.000 / µl podem levar a hemorragias espontâneas (petéquias, equimoses). Contagens plaquetárias superiores a 800.000 / µl indicam trombocitose. Trombocitose associada a inflamação normalmente não está associada a um aumento no risco de trombose. Entretanto, se for associada com doenças mieloproliferativas podem aumentar o risco de doenças tromboenbolíticas.
A avaliação das plaquetas é realizada em dois níveis:
- Qualitativa: trombocitopatias (podem ser congênitas ou adquiridas).
-Quantitativa: contagem plaquetária (trombocitose e trombocitopenia).

Trombocitopenia é a diminuição do número de plaquetas que pode ocorrer devido a inúmeros fatores (muitas das desordens que causam trombocitopenia envolvem mais de um mecanismo).
1. Produção diminuída de plaquetas: redução do número de megacariócitos na medula óssea. As causa mais comuns são:
- Mieloptise (geralmente pancitopenia) - devido a células neoplásicas ou mielofibrose.
- Drogas (geralmente pancitopenia) – quimioterapia (antagonistas do ácido fólico); excesso de estrógenos (megacariocitopoiese diminuída); antibióticos e agentes antifúngicos.
- Agentes infecciosos – estágios crônicos de doenças riquetsiais (erliquiose – leva a pancitopenia por diminuição imunomediada dos precursores megacariocíticos) FeLV, FIV, parvovírus (vírus podem infectar e destruir células hematopoiéticas da medula óssea).
- Redução seletiva das plaquetas; produção defeituosa de trombopoetina, hereditariedade e congenicidade.
2. Destruição de plaquetas: (indicado fazer o exame de medula óssea, pois os megacariócitos estarão aumentados). As causas mais comuns são:
- Infecção: produtos de endotoxinas. Erliquiose, bactérias, vírus.
- Tumores: hemangioma e hemangiossarcoma (seqüestro esplênico).
- Imuno-mediada: imunocomplexos ligadas à superfície da plaqueta que é seqüestrada pelo Sistema Retículo Endotelial (SRE).
- Drogas: algumas servem como carreadoras de proteínas que revestem as plaquetas e são reconhecidas por anticorpos (antibióticos, agentes antimicrobianos, anti-helmínticos antinflamatórios, drogas cardiovasculares, diuréticos, vacina com vírus vivo modificado de cinomose, hormônios, heparina, diazepam, fenobarbital e outras.
3. Consumo de plaquetas: coagulação intravascular disseminada (CID). É uma condição secundária a uma ampla variedade de doenças. Ocorre a quebra de fibrina (atividade fibrinolítica) e um aumento dos produtos de degradação de fibrina que têm potente atividade anticoagulante. Os megacariócitos estão aumentados.
4. Seqüestro ou diminuição anormal de plaquetas: megacariócitos aumentados na medula óssea.
- Esplenomegalia
- Hepatomegalia
- Hipotermia
- Endotoxemia
- Neoplasias.
5. Perda de plaquetas: megacariócitos aumentados na medula óssea.
- Perda acentuada de sangue;
- Transfusão incompatível.

Trombocitose: aumento do número de plaquetas acima dos valores de referência para a espécie. Indivíduos com trombocitose podem ter um aumento no risco de trombose e hemorragias. Causas
1. Trombocitose fisiológica: resultante do aumento na mobilização de plaquetas do compartimento esplênico e não-esplênico (pulmões) induzida pela epinefrina. O baço saudável contém de 30 a 40 % das plaquetas circulantes. Este é um processo transitório.
2. Trombocitose primária ou essencial: é uma rara desordem mieloproliferativa, descrita em cães de meia idade e idosos (também em alguns gatos).
3. Trombocitose secundária ou reativa: aumento transitório da contagem de plaquetas associado com outras condições tais como:
- doenças crônicas,
- hemorragias ou perda de sangue: deficiência de ferro, traumatismo ou trauma cirúrgico.
- hiperadrenocorticismo ou tratamento com glicocorticóides podem diminuir a remoção de plaquetas do sangue
- esplenectomia: ocorre um pico cerca de 2 semanas após a cirurgia e depois volta ao normal em 2 ou 3 meses.
- neoplasias: linfoma, melanoma, mastocitoma, adenocarcinoma, neoplasia hematológica, mesotelioma, neoplasia do SNC.
- desordens endócrinas
- distúrbios do trato gastrintestinal: pancreatite, hepatite, doença inflamatória intestinal, colite.
4. Trombocitose maligna: devido à leucemia granulocítica, ou megacariocítica.


Bibliografia consultada:
FELDMAN, Bernard F.; ZINKIL, Joseph G.; JAIN, Nemi C.. Schalm. 5. ed. Baltimore: Lippincott Willians & Wilkins, 2000.
LATIMER, Kenneth S.; MAHAFFEY, Edward A.; PRASSE, Keith W.. Duncan & Prasse's Veterinary Laboratory Medicine Clinical Pathology. 4. ed. Ames: Iowa State Press, 2003.
REBAR, Alan H. et al. Guia de Hematologia para Cães e Gatos. Rio de Janeiro: Roca, 2003. 291 p.
LOPES, Sonia Terezinha Dos Anjos; CUNHA, Carlos Mario Severo. Patologia Clínica veterinária. Santa Maria: Ed. da Ufsm, 2002. 125 p.

 

Autor: Mayra Seibert
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